sábado, 7 de junho de 2008

Nippon


Sempre estive em trânsito. Morei em muitos lugares diferentes durante esses 22 anos. A maioria no Rio, mas brinquei na Baixada Fluminense e também no Nordeste.

Pode parecer estranho um texto com título Nippon começar assim, mas vocês vão perceber a ligação quando eu chegar lá.

Para comemorar os 100 anos da imigração japonesa, dentre tantas outras iniciativas, o CCBB está com uma exposição de tirar o fôlego - e de fazer pensar sobre a natureza humana. Trata-se de Nippon.

São contemplados séculos de história do Japão, desde a antiguidade, passando pela era dos Samurais e chegando a era dos animes e robôs. Estão expostos gravuras, a arquitetura, armuduras e armas samurais, origamis, ikebanas (uma espécie de arranjo de flores), a cerimônia do chá, trajes, etc. Além disso, há oficinas diversas, assim como apresentações musicais e de teatro.

Neste passeio histórico, um capítulo em particular me emocionou muito: o da imigração para o Brasil. Há um vídeo com um filme feito a respeito da imigração, que mostra imagens dos primeiros representantes da Terra do Sol Nascente a desembarcar no Brasil, em Santos. São rostos com medo e esperança. Famílias inteiras rumo ao desconhecido.

Conheço pouco a respeito do Japão, à exceção do que me mostraram os seriados e animes. Entretanto, tive uma grande identificação com esse drama dos imigrantes. É estranho, mas como nunca fixei residência por muito tempo num só lugar, sempre me senti um imigrante também. Um imigrante em minha própria terra. Sempre em busca de uma pequena felicidade, dessas que não se pode comprar.

Os japoneses hoje se integraram a nossa cultura, e contribuíram muito para a "cultura brasileira". Conheci alguns, poucos, mas identifiquei em todos um gosto excepcional pelo trabalho. Talvez, esses brasileiros com olhos estreitos não sejam assim tão parecidos com seus ancestrais, mas isso não importa muito. Tem olhos estreitos, mas enxergam longe.

Por um segundo, meus olhos se estreitaram também. E enxergando além, vi que o ser humano não é tão diferente assim, por mais distante que um esteja do outro. Há sempre essa força estranha no íntimo de cada um. Essa pequena chama chamada esperança e que no respeito ao outro, na união, tem um poder que fogueira isolada alguma pode ter.


P.S.: A exposição vai até o dia 13 de julho, no CCBB do Rio. É permitido fotografar :)

http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/rj/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=32853&cod=3

3 comentários:

Anônimo disse...

Jorge! Gostei muito do seu post!

Assim que as coisas se acalmarem para mim, irei ao CCBB conferir pessoalmente!

"Essa pequena chama chamada esperança e que no respeito ao outro, na união, tem um poder que fogueira isolada alguma pode ter." <-- Que bonito isso! Eu concordo! Se você reparar, tem algo de oriental nesse seu pensamento.

Abração!

vanevski disse...

Quero muito ir a esta exposição!!
E bom saber a data e sobre a máquina fotográfica, certamente vou levar!
Assim como o pedro estou enroladissima na facul.

Simpatizo muito com a cultura oriental, acho que vai ser maravilhoso apreciar essa exposição.....

vanevski disse...

Deixei outra msg pra vc no seu post chamado "visitantes"
só q nao entendi se o texto é seu ou de rubem braga, só agora vi rubem braga ali!!