terça-feira, 27 de outubro de 2009

Êita Menino

Êita menino!

A bola nos pés
O barro é um mundo!

Um chute...

(Ao longe, o trem vai seguindo seu caminho)

Alegria de gol!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Joãos de Barro e Fé

A obra reproduzida abaixo foi publicada no blog Caneta, Lente e Pincel.

Espero que gostem.


Barracão

Imagem por: Guilherme Quaresma




Moro lá no alto
Vivo assim, na corda bamba
Meu lar é vermelho


Texto por: Alberto de Lima

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Faz de conta

Ô malandro! Cadê você?

No carnaval, as serpentinas
Lágrimas na avenida
De quem lembra
D'Alegria de teu choro

Nesses tempos loucos
Mostra-me a fantasia
No faz de conta desta triste poesia...

E me faz novo!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sobre ventos

Ventos podem causar estragos, mas, às vezes, sacodem o pó de nossas memórias, revelando a verdade crua que permeia nossas vidas. Como instrumentos de revelação, os ventos são indispensáveis, porque nos elevam a alturas de onde as cores são mais claras, de onde é possível pensar em paz.

Passada a tempestade, de volta ao chão, é necessário então começar a agir.

Publico aqui, um desses ventos revolucionários, na forma de arte, do disco Malabaristas do sinal vermelho, do cantor e compositor João Bosco.

Malabaristas do sinal vermelho

Francisco Bosco e João Bosco

Daqui de cima da laje se vê a cidade

Como quem vê por um vidro o que escapa da mão

Uns exilados de um lado da realidade

Outros reféns sem resgate da própria tensão

Quando de noite as pupilas da pedra dilatam

Os anjos partem armados em bondes do mal

Penso naqueles que rezam e nesses que matam

Deus e o diabo disputam a terra do sal


Penso nos malabaristas do sinal vermelho

Que nos vidros fechados dos carros descobrem quem são

Uns, justiceiros, reclamam o seu quinhão

Outros pagam com a vida sua porção

Todos são excluídos da grande cidade

Uns, justiceiros, reclamam o seu quinhão

Outros pagam com a vida sua porção

Todos são excluídos da grande cidade

sábado, 24 de janeiro de 2009

Ideais

Aquela montanha fitando o céu
Repouso de nuvens
que vem brincar em seu pico

Diáfanas crianças, se divertindo...

Tens na cabeça
Da mesma forma
Sonhos tão lindos

Em torno dos quais eu me perco

Sorrindo...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Chão

Meus pés, meus pés...
Caminharam muito nesta estrada incerta
O cuidado tanto que por vocês flutuava, para não acordá-las

Tanto valor tem o chão; pisaremos firme no chão
Embora insistam em se apoderar dele

Eles humilham o chão!
E humilham a si mesmos!

Protejamos o chão!
Para que dê frutos!

Daqui a milhões de anos, em alguma estrela perdida, ouviremos
o triste cantar de homens e mulheres
a lamentar a profunda ausência
do chão

E será esta nossa triste sina

sábado, 3 de janeiro de 2009

Riqueza

E então, com os dedos na terra
Sangrando. O olhar distante
Elevou-se no homem um sentimento novo
Ninguém mais sobre a terra, ou sob o céu, ou sob o mar
Seu senhor seria

E seus farrapos, de tantas cores, seriam agora nobres trajes
E na encosta, seu torto barraco seria um templo

Ou um palácio...

Porque da mente do homem brotara um novo sentido...

Levado pelo vento, cantado pelas aves
Consagrado pelas águas
Avistado das montanhas
Perpetuado pelo tempo, em tantas horas estranhas

Ouça bem!
Feche os olhos!
Reflita!

Quando humilhado, desprezado, rebaixado
Seja a chama!
Sinta!

Só o amor perpetua, esta riqueza nua
Que nos liberta
Dos grilhões de tantas eras...