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sexta-feira, 23 de julho de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sou vento, sou pedra, sou o que quero...

Texto por: Alberto de Lima

Quando escrevo, coloco o mundo sob a ponta do lápis;
Rabisco amores, apago dores
Sopro a fuligem dos desertos
Viro a página quando me encho de palavras

Não há nada mais profundo do que uma folha em branco;
Nada mais amplo, nada mais quieto
Ouça o vento curvando-se nas pedras
Às vezes sou esse vento
Às vezes eu sou a pedra.




Imagem por: Rudy Trindade, inspirada no texto.

Publicado originalmente no blog Caneta, Lente e Pincel, em 10 de setembro de 2009.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sobre ventos

Ventos podem causar estragos, mas, às vezes, sacodem o pó de nossas memórias, revelando a verdade crua que permeia nossas vidas. Como instrumentos de revelação, os ventos são indispensáveis, porque nos elevam a alturas de onde as cores são mais claras, de onde é possível pensar em paz.

Passada a tempestade, de volta ao chão, é necessário então começar a agir.

Publico aqui, um desses ventos revolucionários, na forma de arte, do disco Malabaristas do sinal vermelho, do cantor e compositor João Bosco.

Malabaristas do sinal vermelho

Francisco Bosco e João Bosco

Daqui de cima da laje se vê a cidade

Como quem vê por um vidro o que escapa da mão

Uns exilados de um lado da realidade

Outros reféns sem resgate da própria tensão

Quando de noite as pupilas da pedra dilatam

Os anjos partem armados em bondes do mal

Penso naqueles que rezam e nesses que matam

Deus e o diabo disputam a terra do sal


Penso nos malabaristas do sinal vermelho

Que nos vidros fechados dos carros descobrem quem são

Uns, justiceiros, reclamam o seu quinhão

Outros pagam com a vida sua porção

Todos são excluídos da grande cidade

Uns, justiceiros, reclamam o seu quinhão

Outros pagam com a vida sua porção

Todos são excluídos da grande cidade

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vento

Dorme o Rio, ruas vazias,
E tu caminhas à beira-mar
O vento, docemente, em teu cabelo
Vem te beijar

Fui eu, quem mandou o beijo...

Há tanta dor neste mundo, tantos tiranos, de tantos ismos...

Vem, te proponho, amar é isso
É ter fé; e sorriso
É caminhar sem saber o risco
É dar a mão

Ao passar dos anos, envelhecemos
Vão-se os tiranos, morrem sedentos

Só não passa o vento

Eterna criança a brincar na tua pele...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Ventania

Ventania

Quando escrevo coloco o mundo sob a ponta do lápis;
Rabisco amores, apago dores
Sopro a fuligem dos desertos
Viro a página quando me encho de palavras

Não há nada mais profundo do que uma folha em branco;
Nada mais amplo, nada mais quieto
Ouça o vento curvando-se nas pedras

Às vezes sou esse vento
Às vezes eu sou a pedra.

Alberto de Lima - Rio, 19/04/2007.