A Rubem Braga
Prefiro ficar aqui, nesta praia. Onde os meninos continuam a jogar bola e a construir seus castelos.
Gosto mesmo é de fixar os olhos no horizonte, esperando surgirem, de repente, imensas caravelas, trazendo consigo o sol e rumores de terras distantes.
Como os ciganos ao povo de Macondo, os marujos nos fariam grandes revelações; que em algum lugar faz frio e que há poucos casacos para todos, mas a proximidade da gente impede que haja mortes, e que havendo, faz-se silêncio; que os homens continuam a criar “ismos”, mas falta muito peito, inclusive respeito, exceto, é claro, em Ipanema, onde o primeiro abunda; que há canto na África em meio aos tambores da guerra, assim como na favela. Eles trariam objetos também; espelhos, máquinas de calcular, fotografias... e nós retribuiríamos com aquela velha e boa cachaça de Minas .
Conversaríamos, beberíamos e comeríamos durante todo o dia, e à noite faríamos uma grande fogueira, através da qual as histórias ganhariam um ar sinistro e tenso, como nossos rostos e olhos refletindo as chamas.
Por fim, guiados pelo farol sobre as areias, eles partiriam, em busca de outras crianças a construir castelos, como os meus...
Alberto de Lima, Rio, 13/01/2008.
6 comentários:
Jorginho!
Diferente esse post, mas gostei do texto. Bonito e bem Jorginiano, hehehe!
Abraços!
Meu amigo Jorge! Aqui é o Brito.
Criei um blog também! Entra lá, por favor:
http://janelasepalavras.blogspot.com/
Pus um link pro teu blog lá também.
Abraços!
Gostei do seu comment no meu blog, hehehe!
Lobo bom e mau cordeiro...
Albertíssimo, Demorei mais cheguei. excelente a fé no horizonte. Parabéns meu velho!
AH então Alberto de Lima é vc mesmo?? só descobri lendo os comentários, pra mim vc era só Jorge, Jorginho.
Vc escreve muito bem também, como um profissional!!!
Acho que a boa poesia faz a gente sentir certas coisas com intensidade: calor da fogueira, a paisagem, neste caso. Visualizei e senti tudo. E a idéia dos marujos é bem interessante.
Outro dia mesmo eu estava pensando em idealizar situações. Que coisa seria maravilhosa de acontecer? Ou simplesmente uma experiência diferente, enriquecedora? É bom imaginar essas coisas.Acho que nós temos no mínimo umas 3 vidas.
A vida dentro das nossas cabeças, a vida exterior que é a real e a vida dos sonhos à noite...
Pois é, Vanessa. Eu sou o Jorginho, mas também sou o Alberto...:)
Bem, o texto é meu mesmo. Valeu pelo "profissisonal".
O Rubem Braga e meu escritor preferido. Ele escrevia crônicas, mas passava a essência das coisas nelas, como a poesia.
O texto é uma homenagem a ele, pelo estilo, mas também tem uma referência ao Garcia Marquez.
Inté!
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